homenagem para Glauco

Adeus, Glauco!

Piada sem graça ver o Brasil acordar sem o cartunista Glauco. Não estou aqui para fazer campanha contra a violência no país, pois infelizmente estamos acostumados com ela por aqui. Nem para pedir mais atenção às mentes dos nossos jovens entregues a todo tipo de droga, pois é a cena cotidiana, não temos nada a ver com isso. Muito menos para dizer que a depressão é o mal do século e que não devemos ignorar àqueles que pensam ser Jesus Cristo.

Só estou aqui para dizer que sentirei falta do ‘Geraldão’ , que ‘ Los tres amigos’ ahora son solamente dos (Laerte e Angeli) e que devem estar tão tristes quanto eu.

Só  estou aqui para desejar que a alma dos familiares de Glauco e Raoni seja acalentada.

Só estou aqui para dizer que, apesar de o Brasil ser um celeiro de talentosos cartunistas, cada um é único e Glauco fará muita falta, como outro também faria.

Vai com Deus fazer os anjos rir e refletir a nossa situação aqui na Terra.

C.A.A.

Março/2010

Que dia feliz o Dia Internacional da Mulher! Sempre me questionei porque existia o Dia da Mulher e não existia o Dia do Homem. Mas aos poucos a gente vai descobrindo o significado desta data. Quando minha mãe soube que esperava o primeiro bebê, desejou que fosse do sexo feminino. Acreditou até meses depois que era uma menina. Creio que ao descobrir que não, que ia trazer à luz um varão, ficou um pouquinho decepcionada. Mas, convenhamos: Mãe é sempre mãe e recebe o filho de braços abertos independente do sexo e, acredito eu, com o mesmo carinho. Quer coisa, aliás, mais exclusiva que a gestação? Só a mulher tem essa benção única, uma experiência ímpar para a sua vida.

Antigamente era considerado o sexo frágil. Frágil? Quem duvida que a mulher é o ser humano mais completo e mais forte? Capaz de gerar outra vida, de alimentar nos primeiros momentos de sua existência e de fazer todas as outras coisas que o homem também faz. Cuidar da casa, dos filhos, do marido e depois sair para trabalhar: quantas mulheres não fazem isso?

Devo confessar que quis ser mulher por diversas vezes, mas não foi uma condição concedida para mim nesta existência. Por isso decidi e me casei com minha esposa em um dia 08 de Março. Talvez tenha sido o caminho mais curto para comemorar a data junto com elas. Talvez tenha tido inveja, quem sabe, da mulher que tem um dia único, uma data exclusiva para ser lembrada. Não sei se é isso porque, dizem, inveja é um sentimento feminino. Será?

Feliz Dia Internacional da Mulher! (às mulheres e aos homens que as respeitam)

08 de Março de 2010.

C.A.A.

Fui convidado para uma cerimônia de casamento com festinha na seqüência. Música, buffet, bolo…Marquei com um amigo que conversaríamos mais durante a festa, já que no dia-a-dia o tempo escasso nos impede de colocar as notícias (lê-se fofocas. Sim, homens também fofocam.) em dia. O ‘amigo’ é fumante, eu não. Chegou o dia. Eu e  minha esposa fomos a tão esperada cerimônia (e festa) ansiosos por uma noite interessante de intenso relacionamento social. A cerimônia na igreja foi linda. Aliás, mesmo antes da lei antifumo, não lembro que houvesse o costume de fumar em igrejas. Explico: Durante a festa do casamento, entramos no ambiente e nos sentamos à mesa com os ‘parentes’ e alguns amigos em comum. No início tudo estava muito bom, mas de repente as pessoas foram sumindo, assim, aos poucos. Ficamos somente nós dois: eu e minha esposa. Depois de um tempo chegou alguém: -Vamos lá fora! Está muito bom. Bem melhor que aqui. Fomos. Chegando lá fora, mesas cheias. O ambiente era contrário ao que acontecia dentro do salão. Muitas pessoas, felizes, conversa rolando, ambiente animado e…esfumaçado. 90% das pessoas fumavam incessantemente. Havia mais fumaça que na pista de dança. Meu blazer começou a ficar impregnado. Minha respiração, rarefeita. Horrível. Não foi possível ficar por três minutos naquele lugar. Voltamos para dentro do salão. Ninguém veio atrás. Ninguém estava interessado em uma boa companhia, em um papo interessante.  Festa solitária, sem relacionamento social, sem amigos, sem clima de festa…Moral da história: O cigarro é o melhor amigo do fumante.

Dia desses flagrei minha noiva roendo as unhas.
-Pára com isso! A unha é cheia de micróbios…
-Micróbio? O que é isso?
O espanto dela que é um pouco mais nova que eu, denotou o quanto estou ficando velho. Antigamente (olhe outro indicador da minha ‘experiência’) tudo era micróbio. Hoje damos nome aos bois: vírus, bactérias, fungos…

ıǝlɐɟoʇuoɹd# ¿oxıɐq ɐɹɐd ɐçǝqɐɔ ǝp áʇsǝ ǝnb opunɯ o é no ɐɹıǝuɐuɐq opuɐʇuɐld áʇsǝ ǝʇuǝɯ ɐɥuıɯ ǝnb áɹǝs ¿souɐʇǝqıʇ sǝƃuoɯ so ɯoɔ oɹʇuoɔuǝ ɯn ‘ɐuɐʌɹıu olǝd ɐɔsnq ɐɯn ‘lɐnʇıɹıdsǝ oɹıʇǝɹ ɯn no ¿ouos ǝp ǝʇıou ɐɯn ¿ɐɹʇɐınbısd ɯn ¿ǝɹǝƃns ǝɯ ǝnb o ¿ɐçǝqɐɔ ɐɥuıɯ ɐp oƃlɐ é no ɯıssɐ ǝʇuǝs ǝs ɯéqɯɐʇ ‘ɹoʇıǝl ‘êɔoʌ ˙ǝʇɹɐd ɐ ɐpoʇ ǝp sɐpuıʌ sɐçɐǝɯɐ qos soɯǝʌıʌ ¡onpíʌıpuı o ɐɹɐd ǝpɐpılıqıxǝlɟ ɐɾɐɥ ˙odɯǝʇ ɯǝ odɯǝʇ ǝp ǝsıɹɔ ɯǝ opunɯ o ɐɔoloɔ oɯsılɐɹǝqıloǝu opɐɯɐɥɔ o ˙opunɯ o opoʇ ɹod sɐɹnʇlnɔ sɐ ɐɔɐʇɐ ǝnb snɹíʌ o é oãçɐzılɐqolƃ ɐ ¿ɹɐƃnl ǝp ɐɯǝlqoɹd o opuɐpnɯ ɐıɹɐʇsǝ ós no ɐıɹɐʇuɐıpɐ ǝnb áɹǝs sɐɯ ‘ɹɐpnɯ ǝɯ ǝ odɯɐɔ ou ɐɥuısɐɔ ɐɯn ɹɐɹdɯoɔ ɯǝ ıǝsuǝd ˙ǝɔǝʇuoɔɐ sɐɯ ‘zǝʌlɐʇ ‘ɹouǝɯ ɐıɔuêübǝɹɟ ɯoɔ ˙ɯéqɯɐʇ ǝɔǝʇuoɔɐ ouǝɯôuǝɟ o ɹoıɹǝʇuı op sɐʇɐɔɐd sǝʇuɐ sǝpɐpıɔ ɯǝ ˙soɹʇuǝɔ sǝpuɐɹƃ sop sıɐɯ oãu ɐɯoʇuıs ɯn é ossı opnʇ ǝ ˙oɯsǝɯ ,ɐɹıd, opunɯ opoʇ ɯıssɐ ˙oɯoɔ ɯǝʇ oãu ˙ılɐ áʇsǝ áɾ opunɯ o ‘ınbɐ áʇsǝ ǝnb ɐsuǝd onpíʌıpuı o opuɐnb ǝnb lıƃá oãʇ ɐɯɹoɟ ǝp ǝssınloʌǝ opnʇ ǝnb nıʇıɯɹǝd lɐʇıƃıp ɐɹǝ ɐ ˙ɐpɐu sıɐɯ ɐpoɯoɔɐ oãu ouɐɯnɥ oɹqǝɹéɔ o ˙oãssǝɹdǝp ɐ é olnɔés op ɐçuǝop ɐ ǝnb ɐoʇ à é oãu ˙sol-êʌɹosqɐ soɯınƃǝsuoɔ oãu ǝnb ɐɹıǝuɐɯ ǝp zǝpıdɐɹ ɐɯn ɯoɔ ɯɐɯɹoɟsuɐɹʇ ǝs sǝɹolɐʌ so sɐɯ ˙oãçnloʌǝ ɯǝ opoʇ ɯn soɯos ‘oɹɐlɔ ˙ǝʇuǝɯɐƃıʇuɐ ɐɹǝ oɯoɔ é sıɐɯ ɐpɐu ˙ǝʇuǝɯɐƃıʇuɐ oɯoɔ oãs oãu sɐossǝd sɐ ˙ǝʇuǝɯɐƃıʇuɐ oɯoɔ sıɐɯ é oãu odɯǝʇ o :ɐzǝɹnʇɐu ɐıɹdóɹd ɐlǝd ɹɐçǝɯoɔ ɐ ˙oıpáɹ ɐp ɐıɔíʇou ɐp olnɯíʇsǝ op osıɔǝɹd ɐɾǝs ǝnb ɯǝs ɯǝɔǝʇuoɔɐ sǝɹoıd oʇınɯ sɐsıoɔ ‘ǝɾoɥ ǝnb é lǝʌíɹɔuı o ˙ɐıɹɐqɐɔɐ opunɯ o ǝnb ǝp oıpáɹ ou ɐslɐɟ ɐıɔíʇou ɐɯn opıʌǝp ɯɐıɹǝɔǝʇuoɔɐ ós ǝnb sopɹnsqɐ soʇɐɟ nǝʌǝɹɔsǝp ˙odɯǝʇ oʇınɯ áɥ ɐpuɐɹıɯ ɯǝɯɹɐɔ ɐʌɐʇuɐɔ ,˙˙˙ɹɐqnoɹ ɐ noçǝɯoɔ ɐsɐɔ ǝp ál ǝʇuǝƃ ɐɥuıɯ ossıp ɐsnɐɔ ɹod ˙ɹɐqɐɔɐ ǝs ɐı opunɯ o ǝnb ɯɐɹıʇuɐɹɐƃ ǝ ɯɐɹɐıɔunuɐ,

Ele quase não fala, embora seja um líder nato. Comandou outros dez em campo e hoje comanda vinte e dois jogadores, fora o restante da equipe técnica. Dunga esteve lá em cima e cá embaixo. Foi criticado, foi ovacionado e foi ridicularizado, até. Mas deve ser respeitado por tudo o que fez pelo futebol. Tem, e é merecido, o respeito do Rei Pelé. Os ídolos de hoje no esporte aprenderam muito com ele. Um profissional taticamente perfeito, por isso foi um excelente capitão e é um técnico bola cheia também. Nenhuma seleção brasileira sem um Dunga passou sequer das oitavas de final. Coincidência? Talvez. Porém pouco provável. Não sei se tem alguma relação com a numerologia ou outra força qualquer, mas é fato. Duvidaram que ele levasse a atual seleção à Copa do Mundo de 2010. Levou. E a confirmação veio justamente em um Brasil X Argentina (na Argentina) com promessas de canibalismo por parte dos hermanos em cima dos visitantes. Dias atrás repetiam vídeos e matérias sobre a suposta ‘superioridade’ da Argentina sobre o Brasil. Dieguito rezou, catimbou, pressionou…Mas não deu certo. Os deuses do futebol são, definitivamente, brasileiros. É a terceira vitória da seleção de Dunga desde que assumiu a seleção em 2006. O triunfo é brasileiro. Não resta dúvidas. E Dunga, apesar de todas as críticas, é a chave principal deste sucesso. A intimidade do líder da seleção com a bola vem desde criança, nas brincadeiras de rua, até a estréia com a camisa verde e amarela em 1983 pela seleção de juniores acompanhado de Bebeto e Jorginho. Na ocasião, a seleção foi campeã do mundo no México. O objeto redondo, antes branco como o floco de neve  que hoje é apresentado em cores variadas, causa fascinação em qualquer criança no nosso país. Mas poucas chegam ao topo, tornam verdadeiros gênios da bola, como Pelé, Garrincha, Zico e ele…Dunga, meio a tantos outros que nos deixam agraciados e orgulhosos perante todo o resto do mundo.

Há noticiado um fato polêmico ocorrido nas praias de Fortaleza: -um homem (estrangeiro) beija a filha, é denunciado e preso.- O denunciante informa inicialmente à polícia que o homem dava ‘selinhos’ na boca da filha. O turista, que estava acompanhado da família (esposa, filhos e amigos) é preso imediatamente. A esposa consente e diz que o ‘selinho’ em filhos é um hábito no país de origem do estrangeiro, algo cultural, podemos dizer. Mas até que ponto podemos enquadrar o ato, perante as novas leis vigentes no país, nos crimes de estupro e pedofilia? Será que a prisão não foi precipitada? A troco de quê?

Fortaleza é um dos destinos mais cobiçados pelos turistas no Brasil por ser uma cidade realmente encantadora por suas praias e atrações culturais, mas não devemos nos esquecer que freqüentemente são noticiados flagrantes do turismo sexual, inclusive infantil, que acontece naquela região.

Não estou aqui para questionar a lei e o fato em si, pois não podemos de forma alguma julgar sem ter conhecimento integral do ocorrido. É possível que tenha havido uma manifestação afetiva de pai para filho, apenas. o que é comum e até muito saudável, ao meu ver. Mas não sabemos ainda o que está por trás de tanto espanto por parte do denunciante. Vivemos em um país tropical e, como diz o poeta, ‘abençoado por Deus e bonito por natureza…’  Um país que tem orgulho da sua ‘paixão nacional’ , da beleza de suas mulheres, consideradas por estar entre as mais belas do mundo de um modo geral. Vivemos no país do fio dental, do topless e do futebol. Temos um espírito de liberdade que nos ronda e não podemos fechar os olhos para isso. É cultural. Por isso estranha o fato do denunciante chegar ao ponto de chamar a polícia. Não sabemos o que de fato ocorreu, mas se foram apenas manifestações de amor fraterno, chega a ser patético o teor da hipocrisia contida na alma deste ser. Ou a ‘psiquê’ deste indivíduo esconde algo que somente os psicólogos poderiam nos explicar.

Mas o que vem ao caso agora é a ação da polícia. A polêmica é gerada mais em torno da prisão do estrangeiro. O homem não pode aguardar a conclusão do inquérito em liberdade? Não nos foi explicado se ele tem antecedentes (creio que não) ou qual o grau de periculosidade que o cidadão apresenta. Dúvido que a polícia não tenha conhecimento, por exemplo, dos pontos onde ocorre a exploração do turismo sexual naquela cidade. Porque não prendem os envolvidos, então? Eu sei a resposta e creio que todos saibam também. Não vou subestimar meu leitor escrevendo aqui a resposta.

E o papel da imprensa? Consegue saber detalhes da vida de um artista e até agora não conseguiu nos relatar objetivamente o que ocorreu e o que está por trás de tudo isso. Cada canal de informação passa um detalhe diferente, um ponto de vista, uma opinião, mas não nos dá o paradigma do fato.

Enquanto isso, o que me resta é escrever esta crônica e aguardar que em breve as questões que preenchem este espaço sejam respondidas.

Brigitte Bardot em Búzios

Brigitte Bardot em Búzios

Nada mais belo que a beleza natural. Hoje em dia os valores estão invertidos: degradamos a beleza natural (tanto geográfica como corporal, se é que me entendem…) e valorizamos a beleza artificial e plástica.  Antigamente valorizávamos o que era realmente belo e natural. O padrão feminino, embora transformasse com o tempo, sempre foi o natural. Teve época até que as mulheres gordinhas eram muito valorizadas. Hoje, se falarmos em beleza feminina, podemos notar o contrário. O botox, o silicone e todo o tipo de tratamento artificial está na moda. Acabo achando que a última bela natural é coisa do século passado. Brigitte Bardot (atriz e cantora francesa), talvez, que esteve em Búzios no auge daquele lugar. Sim, Búzios já foi considerado um dos lugares mais belos do mundo. Falo agora da beleza geográfica, coisa que o Brasil tinha de sobra para oferecer (ainda resta um pouco) mas que o turismo desenfreado na busca do ‘dinheiro’ abundante acaba degradando. Não sou contra o turismo. O setor, aliás, é um grande nicho para o desenvolvimento do país. Mas ele deve ser sustentável. Brigitte visitou Búzios e se apaixonou. Mas, infelizmente, dizem, a paisagem não é mais a mesma. A exploração do turismo local parece degradar a cada dia o ambiente. Navios de turismo lançam suas âncoras a 400 metros da praia e machucam a barreira de corais e a vegetação marinha que é nada menos que o abrigo dos peixes e outros seres marinhos que aos poucos deixam o local. Qual seria a visão de Brigitte Bardot, defensora militante do meio-ambiente, nos dias de hoje? Esta é a pergunta que fica parada no ar. Devemos refletir antes de jogar lixo na rua ou realizar um turismo por locais antes intocáveis. O turismo de aventura, deve ser antes de mais nada planejado afim de não degradar o meio-ambiente e toda ação do ser humano deve ser planejada para que possamos preservar matas, mares, oceanos, duas de areia, cachoeiras, etc. Assim como o consumo (de água, energia, etc) o turismo, repito, também deve ser sustentável. E para a beleza natural do corpo (tanto masculino ou feminino) podemos apelar mais à hábitos saudáveis de vida, alimentação regrada e exercícios físicos, senão, em um futuro breve, seremos todos homens biônicos e a vida (que é o oposto da artificialidade) não terá mais sentido.

Penso que desde o início dos tempos implantaram na alma do homem a inveja e ele passou a invejar o mais poderoso daquele que havia ouvido falar: Deus. O homem sempre quis brincar de ser Deus. Sempre quis interferir na vida do seu semelhante, deixar sua marca, impor suas idéias, seu modo de pensar (assim como nós, escritores), de agir, etc.. O homem sempre quis manipular o próximo, como sempre fizeram os governantes e os patrões desde o começo de tudo.

Antes, brincar de Deus era privilégio de poucos. O governo comandava, quando não, a igreja também dava suas ordens, impunha seus desejos mais questionáveis e absurdos. Depois, mais indivíduos foram adquirindo o poder de criar seu próprio mundo: os médicos, por exemplo, os cientistas, os policiais, até, pais, professores, políticos, chefes, líderes em geral…

Hoje, cada um tem seu mundinho particular, às vezes esquisito, como aquele garoto que cria uma iguana ou uns ratinhos em seu quarto, aquele outro viciado no video-game mais moderno e o que brinca com os soldadinhos de plástico (será que estes ainda existem?).

A tecnologia está diretamente ligada à mania do homem querer brincar de Deus. Quanto mais próximo das parafernálias tecnológicas, mais próximo o homem está de ser Deus. Paradoxo, não?

Estes dias mesmo estava eu brincando de criar sites na internet (como este) e cansei. Pensei: -Que tédio! Vou procurar outra coisa para fazer. – Comecei a ‘navegar’ e encontrei o download do Google Earth disponível. Não deu outra. Foi só ‘salvar’, ‘executar’ e lá  estava eu dominando mundo. Parecia um moleque fazendo o tempo passar adiante, voltar atrás… Andava com a ajuda do meu cursor pelo mundo que se abria na telinha. Um verdadeiro descobridor, como no tempo das missões. Só que o que eles faziam em anos eu fazia em segundos. Extraordinário, não é mesmo? Conseguia fazer o que eu queria com aquele globo azul bem ali na minha frente. Brincar de Deus era prazeroso, magnífico, novo…

Eu, como ser racional que sou (será?), comecei a pensar que o homem que se atreve a brincar de Deus deve no mínimo potencializar ao máximo o seu senso de responsabilidade. À partir do momento que ‘lideramos’, ‘comandamos’, ‘cuidamos’ ou estamos simplesmente à frente de qualquer coisa, qualquer mesmo, devemos ter milhões de vezes mais responsabilidade para não afetarmos o outro negativamente. Se eu realmente fosse Deus e pudesse ver o planeta lá de cima como no Google Earth, pensaria mil vezes antes de dar qualquer mexidinha no cursor do meu laptop.

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