Conheço palavras
Que matam,
Que salvam,
Que adoecem,
Que alegram,
Que consolam,
Que ferem,
Que lavam a alma.

Não têm,
Necessariamente,
Função verbal
No âmago da sua gramática,
-mas palavras,
são, de função vital. -

(C.Antonholi – 2011)

É difícil
Derrubar
Um edifício
sem bombas de dinamite
sem um míssil

mas um homem rijo
se pode derrubar
com uma palavra

não sobra entulho
nem poeira,
não sobra nada

é implosão de sentimentos,
de esperança,
momentos
e auto-confiança

(C.Antonholi-2011)

EM
REI
VENTO
ME
REINVENTO
REINVENTA-TE
TAMBÉM!

(C.Antonholi – 2011)

DE
PRES
SÃO
NÃO
SE CURA
DEPRESSA
COM METÁFORAS

METÁFORAS
NÃO
SE CURAM COM
FLUOXETINA

(C.Antonholi – 2011)

Por aí ouve dizer

Que ‘caiu na bad trip

- Fé nostálgica -

Virou hippie’

Voz legitima de junkie,

pobres consumistas…

nem são yankees:

apenas utopias capitalistas.

 

 

 

Pose para a foto

Não era flash, não,

Era relâmpago

E depois, trovão

 

 

Pessoas molhadas -

Não era piscina,

Nem banho de mar, nada:

Era a água da chuva,

 

 

os rios transcendidos: só enxurrada

que deixa órfãos sofridos,

sonhos perdidos,

almas arrasadas…

 

 

e nos flashes do dia seguinte

resta o retrato

de uma tragédia anunciada

 

(C.Antonholi – Jan/2011)

Mesmo com o coletivo lotado, não se controlavam.

O cobrador, constrangido, chamou a atenção do casal porque o ônibus estava lotado e havia uma maioria de mulheres e crianças entre os usuários. Os protagonistas daquelas cenas picantes não deram ouvidos.

Primeiro a mulher sentou no colo do homem e em seguida começou a masturbá-lo sem pudor algum na frente de todos.

O coletivo fazia a linha do bairro ao centro e estava na metade do caminho quando o fato inusitado começou a tomar grandes proporções em um dos bancos próximo à porta traseira. Eram beijos provocantes, abraços e amassos descontrolados.

O cobrador chamou a atenção mais vez. Os usuários estavam indignados mas não se envolviam na situação por precaução.

Desta vez, revoltado, o aposentado xingou o cobrador que ignorou as ofensas. Quando o ônibus parou para que alguns passageiros descessem, ele levantou e se dirigiu ao cobrador desferindo um soco em sua cara. A vítima revidou em seguida.

A partir daí a confusão cresceu e a saída encontrada pelo motorista do coletivo foi parar a corrida e levar o caso ao conhecimento da polícia. Parou o carro na frente da delegacia que estava mais próxima da ocorrência. O policial adentrou pela porta da frente minutos depois e solicitou que todos descessem para registrar a queixa.

Com o relato das testemunhas e dos envolvidos, o boletim foi confeccionado e os acusados, Antônio, de oitenta e um anos e Luzia, de setenta e nove, foram liberados.

                                                                                                                                                                    Direitos Reservados

                                                                                                                                                                                   © Carlos Antonholi

Devo confessar algo ainda que venha a ser criticado e desacreditado por muitos: Conheci minha atual esposa na internet. É verdade, caros leitores, na sala de bate-papo. Não me lembro agora em qual portal ou sala, mas é fato. Trocamos telefone, ligamos e marcamos um encontro – na casa dela. Corajosa, mas não aconselho ninguém a se arriscar tanto. Fica aqui o meu alerta: É perigoso!

Mas era 2001, a internet começava a bombar e ela morava no mesmo bairro, perto da minha casa. Menti. Disse que morava em outro bairro. Ela acreditou e parece não que não ficou incomodada. Nos conhecemos, namoramos durante longos sete anos e…casamos.

Compramos dois ‘notebooks’ no primeiro ano, claro.

A mãe dela conta para todo mundo que conhece quando vai nos apresentar: ‘-se conheceram na internet.’

Deve ser por isso que o relacionamento deu certo, pois temos algo em comum: gostamos da rede. Compartilhamos fotos, blogs, jogos, etc… 

 Mas uma coisa não compartilhamos: redes sociais.

Casamos com divisão parcial de bens: eu com meu Orkut, ela com o dela.

C.A.A.

No mesmo dia que é descoberto o assassino (confesso) dos seis adolescentes que desapareceram desde Janeiro na cidade de Luziânia (GO) soltam o Arruda. O que uma coisa tem a ver com a outra? Explico: o assassino de Goiás já havia sido preso por pedofilia e foi solto dez anos antes de cumprir a pena e o Arruda que desviou no mínimo um milhão e meio de reais dos cofres públicos também já está em casa. Enquanto isso, um rapaz que foi preso há mais de dois anos por ter roubado uma peça de bacalhau porque passava fome, continua preso. Onde está a coerência de tudo isso? O que falta para uma mobilização em prol de mudanças nas leis deste país? A justiça acaba por ser injusta quando aproveita de verdadeiras lacunas da lei para prevalecer uns (de preferência aqueles que tem maior prestígio ou poder monetário) em  detrimento de outros.

 

Após os acontecimentos no Rio de Janeiro, muitas campanhas vêm à tona para reerguer (se é que há esta possibilidade) a vida daquelas pessoas que foram vítimas do acaso (ou descaso?). Isso é normal, até. Mas o que leva um artista a bradar sua indignação nas redes sociais, a aparecer na TV chorando porque também perdeu bens materiais (e as vidas perdidas?), a se mobilizar promovendo eventos em prol daquilo que já foi perdido? Se estas pessoas têm realmente a necessidade de ajudar, porque não o fazem antes de acontecer? Prevenção seria a melhor forma de evitar tragédias. Como? Cobrando os governos para que adotem políticas públicas de habitação enquanto o Sol ainda brilha. E as tragédias são repetidas ano a ano. Catarinenses e paulistanos sabem o que estou querendo dizer. Se os políticos recusam a fazer o que é sua obrigação, estas pessoas que querem fazer da tragédia sua vitrine, poderiam promover eventos para levantar verba e fazer o que o governo não faz antes que o pior aconteça em vez de ficar buscando incessantemente a autopromoção e a fortuna.

Claro que não podemos generalizar. Existem sim artistas e empresários que não vivem com os olhos voltados apenas para o seu umbigo. E não podemos dizer que só na categoria dos artistas e empresários que existem pessoas assim. É apenas um exemplo.

O povo que chora quando a tragédia acontece, também traz consigo o descaso: não vota direito (muitas vezes nem se lembra em quem votou na última eleição), não cobra do governo e têm hábitos irregulares como jogar lixo para fora do carro, querer levar vantagem em tudo (típico do brasileiro) ou abandonar o próximo quando este está em idade avançada (sem falar nos que espancam estas pessoas, jogam o filho no rio ou o abandona em qualquer canto da cidade).

Mas tudo isso é só um exemplo.

Fica a indignação.

Recebo diariamente questionamentos de pessoas que querem ter um ‘blog’ e expressar sua opinião na rede. Solicitam dicas, querem saber por onde começar, enfim, procuram ajuda para tornar ‘blogueiro’.

Para muitos, precisamos ser diretos e sugerir ‘começar pelo começo’: – Aprenda a lidar com a linguagem da escrita! Precisamos saber escrever não só para criar um ‘blog’ como para as mais diversas situações do cotidiano como conseguir um bom emprego, mas muitas pessoas não acreditam nisso. O caso mais explícito que já vi é o de uma pessoa solicitando ajuda ao meu amigo Marcos (blogueiro) para iniciar um ‘blog’. Veja se é possível:

dados apagados propositalmente

 

É isso. Se você quer escrever um ‘blog’ e se enquadra nesta situação, primeiro procure intimidade com a nossa Língua. Não fuja da escola, principalmente das aulas de Português, que muitos acham um saco (mas não é). Leia! (vale revista, jornal, livro e até bula de remédio) A leitura é essencial para quem quer escrever bem. E não tenha medo. Não precisa ser nenhum erudito mestre da Língua Portuguesa para interagir nas mídias sociais. Erros gramaticais são normais na rede. O que não pode é ser totalmente alheio a linguagem escrita, senão como vai comunicar sua idéia ao interlocutor?

Se você não se enquadra nesta situação e quer escrever um ‘blog’, é só começar. Ponha as idéias para fora, expresse sua opinião e dê a sua contribuição para a sociedade (!) …

Se quer dicas sinceras, comente neste ‘blog’ e aguarde a resposta.

Abraços,

C.A.A.

Março/2010

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